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terça-feira, 28 de março de 2017

COMO SE AVALIA UM ÁRBITRO?
Crônicas do Xadrez cap. - XXVII

por Roberto Telles de Souza
Toda semana postamos aqui as famosas crônicas sobre xadrez do nosso grande amigo e entusiasta de nosso esporte o Árbitro Internacional Roberto Telles de Souza


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 Confederação Brasileira de Xadrez, Licença: 5700568643 ID nº.77
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Por Roberto Telles de Souza


COMO SE AVALIA UM ÁRBITRO?
Inúmeras vezes fui questionado sobre essa complexa questão. Talvez seja impraticável dar uma resposta definitiva a essa indagação, porque o tema envolve critérios de avaliação de competência, alguns extremamente objetivos, como conhecimento atualizado das leis, normas e regras e sua aplicação, pois ser um expert no conhecimento das normas não implica necessariamente capacidade e regularidade de colocá-las em prática. É importante destacar que o desconhecimento dessas regras gerais do xadrez por parte dos competidores geram destes avaliações inadequadas sobre o comportamento do árbitro.

Outros critérios permeiam a subjetividade, quando os enxadristas avaliam características dos árbitros como seriedade, simpatia, empatia, flexibilidade possível, exercício da autoridade, controle emocional, espírito de liderança, humildade para retomar a normalidade, percepção antecipada de eventuais problemas, etc. Inevitavelmente aspectos emocionais comprometem a avaliação do árbitro pelo jogador, sobretudo quando houve, no passado, uma decisão do árbitro contrária aos interesses pontuais do enxadrista, ou até mesmo um erro de interpretação do árbitro na solução de um impasse numa competição.

Uma avaliação isenta deve necessariamente abordar erros e acertos do árbitro no decorrer de suas atuações e não isoladamente por alguns fatos específicos de uma partida ou uma única competição.



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Autoria: Roberto Telles de Souza (Árbitro Internacional)

quarta-feira, 22 de março de 2017

CAPIVARA CONTANDO VANTAGEM
Crônicas do Xadrez cap. - V

por Roberto Telles de Souza
Toda semana postamos aqui as famosas crônicas sobre xadrez do nosso grande amigo e entusiasta de nosso esporte o Árbitro Internacional Roberto Telles de Souza


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 Confederação Brasileira de Xadrez, Licença: 5700568643 ID nº.77
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Por Roberto Telles de Souza


CAPIVARA CONTANDO VANTAGEM
E quando o "capivara" quer reproduzir uma partida que não anotou? Começa assim: "Joguei aquela variante da Ruy Lopez... como é o nome mesmo? Aquela que o ..., o ..., o ..., jogava. Você sabe, aquele do campeonato mundial!
Não importa, comi o cavalo dele com o meu bispo. Na hora não me lembrava se isso era bom ou não, mas mesmo assim comi. Ele comeu o meu bispo, daí eu joguei ... o que foi mesmo que eu joguei? Ah sim, parece que eu... roquei. Daí ele jogou ..., ..., sei lá, parece que... foi o ... Bem, eu não me lembro, mas depois de alguns lances a posição ficou... assim, oh! Era lance dele. Não, não era..., o lance era meu! Mas "tá" faltando um lance. Eu sei que está faltando. Não..., já sei!

O lance era dele... tem algum lance trocado... Tá faltando um lance... Espere um pouco, vou voltar a posição...
Depois de um processo interminável de "tentativas e erros", que dura por baixo uma hora e meia, finalmente diz triunfante:
"- O que importa é que entrei nesse final, com uma qualidade e um peão a menos. E sabe o que aconteceu? Não me lembro bem dos lances, mas, no final, ele afogou o meu rei. Você não acredita, cara, eu consegui empatar ainda! Você quer que eu tente me lembrar certinho dos lances?"

Capivara, transforme-se em um "Kaspivarlsen"

Siga os passos abaixo:

1º Pergunte a alguns adversários, que você tenha vencido, quais foram os oponentes mais fortes que eles enfrentaram.

2º Torça para que ao menos um deles tenha participado de uma competição oficial, ou quase oficial, mesmo que seja o torneio escolar da EEP Santa Terezinha de Sertanópolis do Oeste.

3º Faça, então, devidamente adaptada, a pergunta do Passo 1º desta sequência.

4º Torça também para que o mesmo se enquadre no Passo 2º.

5º O importante é descobrir alguém que ganhou de alguém, que venceu alguém que venceu alguém, que... até uma vitória sobre um respeitado campeão, mesmo que essa vitória tenha ocorrido quando esse campeão era ainda uma criança se iniciando no xadrez, ou sobre um velho gagá que se gaba de ter vencido o vice-campeão de Pontal do Icuruí de Várzea Alegre, em 1.929.

6º E, assim sucessivamente, tente identificar uma rede linear que o leve a uma vitória indireta sobre um Mequinho, Milos, Giovanni, Leitão, Darcy, Sunyê, Fier ou Kasparov, Fischer, Karpov, Anand, Kraminik, Magnus Carlsenou até mesmo sobre enxadristas falecidos como Capablanca, Petrossian, Tal, ou aquele que você escolher.

7º Se você ainda assim não conseguir se tornar um "campeão indireto", é porque realmente é um destacado capivara.

8º Se você não entendeu o tópico, não desanime, pois existe uma tradição no xadrez que diz: "Todo capivara tem um dia de mestre". Isso significa que há boas chances de você ainda se tornar um capivara mais bem informado.



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Autoria: Roberto Telles de Souza (Árbitro Internacional)

quinta-feira, 16 de março de 2017

Xadrez em todas as escolas

 Ideia Legislativa, por Woman Master FIDE Regina Rodrigues Bonfim

Ensino de Esporte Xadrez em todas as escolas públicas.


Galera, está tendo uma pesquisa no site do Senado para que tenha Xadrez em todas escolas públicas. Se conseguirmos 20mil apoios (votos), a ideia se tornará uma Sugestão Legislativa e será debatida pelos Senadores.
Grande Mestres e Mestres de Xadrez, reconhecidos pela FIDE (Federação Internacional de Xadrez) dariam a formação para professores, que ministrariam as aulas no ensino fundamental e médio em todo Brasil. O xadrez é reconhecido como excelente ferramenta pedagógica que contribuiu com o aprendizado.
Segundo o professor e Mestre FIDE Wagner Martins Madeira " a proposta de ensino obrigatório do jogo de xadrez nas escolas públicas, deverá ser ministrado por professores capacitados. O xadrez é excelente coadjuvante pedagógico: sua prática melhora o desempenho nas disciplinas curriculares, pois desenvolve habilidades cognitivas, como o raciocínio lógico, a memorização e o poder de concentração dos educandos. "O xadrez é a ginástica da inteligência" (Goethe)."
O esporte é barato e de fácil aprendizado. Contribui com o desenvolvimento da concentração, memória, lógica e demais atividades mentais . Nos espaços escolares poderá ser inserido com pouquíssimos investimentos financeiros. Agradeço.
 
Basta acessar o link https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=67547 e clicar em "Apoiar". Ajude a divulgar! 👍

*Ao recebermos 20.000 apoios, a ideia se tornará uma Sugestão Legislativa e será debatida pelos Senadores.



WMF Regina Ribeiro Bonfim





terça-feira, 14 de março de 2017

AOS POUCOS
Crônicas do Xadrez cap. - XXIII

por Roberto Telles de Souza
Toda semana postamos aqui as famosas crônicas sobre xadrez do nosso grande amigo e entusiasta de nosso esporte o Árbitro Internacional Roberto Telles de Souza


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Por Roberto Telles de Souza


AOS POUCOS
Naquela época os enxadristas jogavam de terno, de fato, como preferem dizer nossos irmãos lusitanos. O xadrez era bem elitizado, obviamente não apenas pelo preço do equipamento, jogo de peças e tabuleiro, mas principalmente pelo monopólio do conhecimento exercido pelos representantes de uma elite terceiro-mundista.

A partir da década de 1.950, o fascinante jogo começou a ganhar adeptos entre as camadas de menor poder aquisitivo, talvez como decorrência natural do processo de urbanização do Brasil, iniciado duas a três décadas antes.


Nos clubes, na área social, senhores elegantemente vestidos manipulavam as peças com tão estudada postura clássica, que causariam inveja a nobres da comunidade britânica. Entre uma baforada de charuto Havana e um gole de licor Napoleon, ouvia-se, com certa freqüência, a costumeira e recorrente expressão “J'adoube”, apenas para exercitar francês, logicamente tudo combinando com a segura Defesa Francesa, dita inexpugnável pelos mais habilidosos.

Certa vez, um desses poderosos homens dedicava-se a ensinar à sua filhazinha os fundamentos da nobre arte. “- E daí, filhinha, o que você deve jogar nessa posição?”. A garota, com seus nove a dez anos de idade, respondeu com sua delicada e tímida voz: “- Eu não sei, papai...”. O pai, demonstrando alguma irritação, diz com aspereza: “- Oras, minha filha, tome o peãozinho!”.


Um enxadrista bem jovem, além de tudo pobre, que assistia à cena, não resistiu e disse: “- Seu João, não seria melhor ter dado o mate, com dama na oitava fileira?”. Indignado com a interferência daquele reles e desprezível ser, o Sr. J. B. saiu-se com esta: “- É que eu gosto de ensinar a minha filhinha, aos poucos...”




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Autoria: Roberto Telles de Souza (Árbitro Internacional)

quinta-feira, 9 de março de 2017

A INTRUSA Crônicas do Xadrez cap. - VII

A INTRUSA
Crônicas do Xadrez cap. - VII


por Roberto Telles de Souza
Toda semana postamos aqui as famosas crônicas sobre xadrez do nosso grande amigo e entusiasta de nosso esporte o Árbitro Internacional Roberto Telles de Souza



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Por Roberto Telles de Souza

A INTRUSA
Na cidade de Batatais, há alguns anos, disputava-se um forte torneio paulista, com a presença de vários mestres, quando ocorreu um fato inusitado.

Numa das primeiras mesas, na quarta rodada de um suíço em seis, um mestre refletia muito sobre o seu lance, pois ali experimentava o clímax da partida, uma vez que a posição exigia uma opção por planos diametralmente distintos: simplificava a posição e empatava ou caminharia por uma sequência imponderável quanto as possibilidades táticas, mas que, a princípio, parecia intuitivamente vantajosa. O empate era uma renúncia antecipada ao título, pois já havia empatado na partida anterior. O lance era torre de b1 em b5, abandonando a defesa da ala e partindo para um vigoroso ataque.

Angustiava-se, pois sabia que, na vida e no xadrez, seja qual for a decisão sempre haverá um custo diferenciado. O tempo passava e os enxadristas menos experientes murmuravam: “- Deve estar perdido”. Não reuniam condições técnicas para avaliar a complexidade da situação. Indiferente aos capivaras, o mestre tentava calcular as possibilidades no oceano exponencial das probabilidades. O adversário, tranquilo, passeava pelo salão apreciando outras partidas. Parecia seguro, raramente olhava para a sua mesa, apenas aguardando o lance do mestre, pois se sentia em condições de igualdade posicional e um empate sereia de bom tamanho.

Em dado momento, um dos participantes procura o árbitro e diz aflito: “– Veja, aquela mulher está de fogo e invadiu o salão!”. Rapidamente os árbitros tentam impedir alguma atitude inconveniente daquela intrusa. Ela parecia ser uma mendiga, um dos tantos excluídos de nossas preocupações, descalça, suja, com as roupas rasgadas, cabelos ensebados e revoltos, bem idosa ou maltratada pelas constantes injustiças sociais deste país. Além de tudo, estava visivelmente bêbada.

Não deu tempo. Aproximou-se da mesa do nosso mestre e, sem mesmo observar bem o tabuleiro, disse bem alto: “– Ah, é xadrez? Moço, jogue esta pedra, indicando a torre, lá na frente, que você vai ganhar!”.

Aquilo foi uma intervenção dos deuses? Ou fora a demoníaca presença de algum espírito zombeteiro? Os defensores da Teoria do Caos diriam que foi apenas mais um evento, mas que certamente teria um efeito multiplicador na dinâmica do Universo. Nunca ninguém soube a verdade, mas o que conta é que o nosso mestre ficou tão perturbado com aquilo, que optou pela simplificação e o inexorável empate. Não jogou a torre por uma questão de ética, pois isso está muito além do que possa supor a nossa vã filosofia.

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Autoria: Roberto Telles de Souza (Árbitro Internacional)

Dundy - EUA vs Instrutor Willian - BRA

Jogue com o Fritz

Ataque Grob - Crianças nunca façam isso!!!!

O Xadrez é algo mais do que um jogo; é uma diversão intelectual que
tem um pouco de Arte e muito de Ciência. É, além disso, um meio de
aproximação social e intelectual. (GM J. R.Capablanca, ex-campeão
Mundial)