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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A SAGA DE UM ENXADRISTA DISTANTE

NAME, A SAGA DE UM ENXADRISTA DISTANTE
Crônicas do Xadrez cap. - XIII

por Roberto Telles de Souza
Toda semana postamos aqui as famosas crônicas sobre xadrez do nosso grande amigo e entusiasta de nosso esporte o Árbitro Internacional Roberto Telles de Souza





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Por Roberto Telles de Souza


NAME, A SAGA DE UM ENXADRISTA DISTANTE
Durante a realização da fase final de um Campeonato Paulista, um ótimo enxadrista de Ribeirão Preto foi protagonista de uma cena inusitada. Antes de se relatar o fato, talvez fosse interessante falar um pouco sobre o incrível Name.
Professor universitário da área das Ciências Exatas, não se portava com a mesma exatidão de sua profissão. Alguém poderia pensar: era desonesto, antiético? Longe disso, chegava a parecer uma criança em sua ingenuidade e até mesmo em seu desligamento no que se refere às formalidades que algumas situações exigem. Raramente entregava uma planilha aos árbitros, pois comumente dobrava-a, bem amassada, com excessivo desprezo em quatro partes e enfiava-a em algum bolso traseiro da calça, enquanto comentava a partida jogada. Com algum esforço, do árbitro, o Name se lembrava que a planilha ainda estava com ele, pois na maioria das vezes dizia: “ – Mas eu já entreguei...”.

Ali se iniciava outra batalha para a arbitragem. Rabiscos indecifráveis marcavam alguns dos lances na amarrotada planilha. Champolion decifrou a pedra da Roseta, mas teria desistido se a tarefa fosse recompor uma partida do Name. Várias lacunas existiam naquelas obras-de-arte infantis. O cabeçalho, onde deveriam constar algumas informações básicas, nomes e resultado, invariavelmente estava em branco. A bem da verdade eram as únicas partes da planilha que tinham alguma clareza.

Houve um dia que o árbitro, meio indignado com esse comportamento e, principalmente, preocupado com a falta do resultado, perguntou-lhe: “ – E o jogo, quem venceu?”. Demonstrando tranquilidade, respondeu com seriedade: “ – Parece que o Corinthians está ganhando de dois a um”. Assim era o Name, distraído, distante do mundo real.

São tantas as passagens envolvendo esse incrível enxadrista, que mereceria um livro inteiro e não apenas uma crônica.

Mas, vamos retomar a narrativa original, a do final do Paulista. Naquele tempo ainda era permitido que os enxadristas fumassem durante as partidas, sem que tivessem de se ausentar do tabuleiro. Dono de uma vasta cabeleira, bem ao estilo dos maiores roqueiros da época, Name transformava sua mesa em um denso nevoeiro de fumaça, fumava neuroticamente. Costuma também segurar as orelhas, enquanto pensava. A combinação desses dois hábitos quase provoca uma tragédia. Não é que o cabelo do Name começou a esfumaçar, pois pegou fogo, literalmente.

O adversário em um gesto rápido e de uma precisão cirúrgica arremessa, heroicamente, um copo de água sobre a cabeça do Gabriel, numa das cenas mais inusitadas do xadrez brasileiro, propiciando sobrevida ao nosso folclórico e talentoso enxadrista.

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Autoria: Roberto Telles de Souza (Árbitro Internacional)



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 Confederação Brasileira de Xadrez, Licença: 5700568643 ID nº.77
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O Xadrez é algo mais do que um jogo; é uma diversão intelectual que
tem um pouco de Arte e muito de Ciência. É, além disso, um meio de
aproximação social e intelectual. (GM J. R.Capablanca, ex-campeão
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