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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

MEQUINHO, UMA BIOGRAFIA PARCIALMENTE ESCRITA

Crônicas do Xadrez cap. - XXII





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Toda semana postamos aqui as famosas crônicas sobre xadrez de nosso grande amigo e entusiasta de nosso esporte o Árbitro Internacional Roberto Telles de Souza




por Roberto Telles de Souza


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Por Roberto Telles de Souza



O Mestre Internacional Filguth escreveu "Mequinho, o Perfil de um Gênio", livro no qual reuniu depoimentos de pessoas que conviveram com Mecking em sua fase áurea, ou no período anterior. Texto esmerado causou algumas polêmicas na época em que foi lançado, pois, para garantir a seriedade do trabalho, o autor manteve alguns relatos mais "ácidos" sobre a personalidade do gênio brasileiro. Figuras notáveis sempre despertam análises apaixonadas. Mequinho foi objeto até mesmo de letras de música de Raul Seixas e Paulo Coelho, além de Rita Lee. Chegou a ser entrevistado no programa do Chacrinha, quando desafiou Bobby Fischer ao vivo. Parecia um dos boxeadores de Don King. Disse, olhando para a câmera, mais ou menos isto:

"- Bobby Fischer, serei o próximo Campeão Mundial, desafio você a me enfrentar onde você quiser!!”
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Foi usado como propaganda ideológica pela ditadura, quando no início de 1.970, período Médici, havia a promessa (não realizada) de que "seríamos campeões dos pés à cabeça". A seleção do excluído e patrulhado João Saldanha venceu, nas mãos de Zagalo, mas o nosso campeão, sem o suporte adequado, caiu diante dos também fortíssimos jogadores soviéticos.
Raul Seixas

Hoje é segunda-feira e decretamos feriado
Chamei Dom Paulo Coelho e saímos lado e lado
Lá na esquina da Augusta quando cruza com a Ouvidor
Não é que eu vi o Sílvio Santos
Não é que eu vi o Sílvio Santos
Sorrindo aquele riso franco e puro
Para um filme de terror
Como é que eu posso ler
Se eu não consigo concentrar minha atenção
Se o que me preocupa no banheiro ou no trabalho
É a seleção
(Vê se tem Kung Fu aí em outra estação)

Já na outra esquina
Dei três vivas ao rei Faiçal
O povo confundiu pensando que era o carnaval
Então eu disse a Dom Paulete: eu conheço aquele ali
Não é possível, dom Raulzito
Não é possível, dom Raulzito
Quem que no Brasil não reconhece o grande trunfo do xadrez
Saí pela tangente disfarçando uma possível estupidez
Corri para um cantinho pra dali sacar o lance de mansinho
(Adivinha quem era? Mequinho!)

Lá em Nova York todo mundo é feliz
Vi o Marlon dançando o último tango de Paris
Pedi cerveja e convenci ao garçom do botequim
A não pagar o tal do casco
Ele aceitou, pois sou um astro!
E duma cobertura no Leblon
Quelé acena dando aquela
Enquanto o povo embaixo grita
É o Rei Quelé despenca da janela
É quando, a 120, o Fittipaldi passa e quem ele atropela
(Meu Deus! Mequinho no chão, mais três velas)

Vamos dar viva aos grandes heróis
Vamos em frente, bravos cowboys
Avante! Avante! Super-Heróis
Ai-oh Silver!
Shazan"
No livro "Os Sertões", Euclides da Cunha compara o sertanejo a um "Hércules - Quasímodo". Mequinho encaixa-se, de certa forma, a essa ilustração. Forte, de aparência terceiro-mundista. Alguns enxadristas brasileiros acusavam-no de ser egocêntrico, outros, de que ele se acovardava ao recusar a enfrentar brasileiros, enfim as críticas são inúmeras e algumas delas provavelmente procedentes, mas, mesmo que de maneira inconsciente, essa virtuose enxadrística ajudou a popularizar o xadrez no Brasil.

Mequinho indiscutivelmente foi um fenômeno em todos os sentidos, de mídia, de xadrez e de virtuosismo, cuja imagem ficou associada ao do "gênio maluco", chegando maldosamente a ser comparado ao "professor aloprado" de Jerry Lewis. Em decorrência de tudo o que realizou, ele continua a ser a grande referência do xadrez brasileiro, tanto entre os mais, quanto entre os menos informados. A talvez somatizada "miastenia gravis", doença que paralisa os músculos, foi um dos mais fortes adversários que enfrentou. "Venceu" e mergulhou-se integralmente na religiosidade.

Muitos são aqueles que perguntam se Mequinho teria alguma chance contra Fischer. No tabuleiro das hipóteses, quase tudo é possível. Mequinho sempre foi um grande jogador de torneios. Sabia o momento exato para economizar suas energias, tinha amplo domínio sobre o sistema de emparceiramento, preparava-se com segura antecedência estudando partidas e o estilo de seus oponentes, enfim era quase que tecnicamente perfeito em competições "todos contra todos". Porém, como xadrez de alto nível exige "nervos de aço", nos matchs seus adversários, ao que parece, buscavam caminhos tecnicamente adequados ou de embate psicológico para desgastá-lo e conseguiam.

Enfrentar o mesmo jogador numa seqüência de partidas chega a parecer outra modalidade de jogo, pois o desgaste pode ser mais intenso e o enxadrista, além disso, tem a consciência de que foi exaustivamente estudado pela equipe de seu opositor. Talvez fosse mais difícil passar pelo "muro" soviético, do que enfrentar Fischer, isso pelo respeito que Mequinho conquistou.

Não sou um "expert" em xadrez, mas minha intuição dizia que ele se preparou adequadamente para enfrentar o norte-americano e não o corredor polonês, digo russo.

Na minha opinião, Mequinho reunia, à época, condições potenciais para ser campeão mundial, a não ser que Fischer também recorresse a alguma estratégia extra-tabuleiro. Certamente essa opinião não é compartilhada pela maioria dos jogadores.
Pensamento: jogar xadrez com eficiência
"O caminho da vitória no jogo do xadrez consiste em transformar qualquer pequena superioridade em ganho".
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1º Corolário:

"O caminho da derrota consiste em não conseguir evitar que qualquer inferioridade sua se transforme em ganho para seu adversário".

2º Corolário:

"O caminho do empate consiste no respeito às citações anteriores por parte de ambos contendores".

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Autoria: Roberto Telles de Souza (Árbitro Internacional)







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 Confederação Brasileira de Xadrez, Licença: 5700568643 ID nº.77
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Dundy - EUA vs Instrutor Willian - BRA

Jogue com o Fritz

Ataque Grob - Crianças nunca façam isso!!!!

O Xadrez é algo mais do que um jogo; é uma diversão intelectual que
tem um pouco de Arte e muito de Ciência. É, além disso, um meio de
aproximação social e intelectual. (GM J. R.Capablanca, ex-campeão
Mundial)